Por que a casa devia crescer consigo?
Se a vida muda, qual é o motivo da sua casa não mudar? Muitas vezes começamos a construir sem pensar no futuro distante. Um casal que já tem um filho pode optar por um T2 porque, naquele momento, parece suficiente. Mas dois anos depois nasce outra criança e surge a pergunta inevitável: “E quando crescerem, como vai ser?”
As obras começam a ser equacionadas, e quase sempre são grandes, caras e causam ansiedade. A verdade é que boa parte destes problemas pode ser evitada se o projeto for analisado ao detalhe desde o início.
Claro que nem tudo na vida é planeado, o nascimento de um filho/a é o melhor exemplo disso, mas, quando estamos a construir uma casa, vale a pena pôr tudo em cima da mesa. Avaliar cenários, antecipar necessidades e projetar com flexibilidade.
Assim evita ter de mudar de casa, entrar em processos complicados ou fazer obras profundas poucos anos após se instalar.
O porquê de planear uma casa que pode crescer
Um dos maiores fatores será sempre o custo que essa mudança provoca, que pode ser minimizada se for feita na fase de projeto. Tudo isto, no futuro, quando se tomar a decisão, vai permitir evitar obras destrutivas e longas esperas até ficar concluído, dando asas a mais gastos de estadia, entre outros. Todas essa microdecissões vai dar a flexibilidade à família sem ter de mudar de casa.
Onde está o verdadeiro ganho económico
Quando a ampliação é pensada na fase de projeto, constrói-se já tudo o que seria caro ou complexo de alterar mais tarde, como:
- Pontos de carga reforçados para suportar mais um piso
- Ligações hidráulicas e elétricas deixadas “em espera”
- Laje calculada para receber novas áreas
- Drenagens dimensionadas para um futuro WC ou cozinha
- Espaço técnico com folga para mais circuitos
Isto significa que, quando chegar o momento de ampliar, não há demolições profundas, não é preciso partir chão ou paredes, e não é necessário reabrir estruturas já acabadas.
Expansão horizontal vs. Vertical
Quando se fala em “casa que cresce consigo”, existem apenas duas formas de ampliar:
- Crescer para o lado (horizontalmente)
- Crescer para cima (verticalmente)
Cada uma tem requisitos totalmente diferentes e por isso devem ser pensadas logo na fase de projeto.
Crescer “para o lado”
Significa aumentar a área útil criando divisões no mesmo piso.
Para isto ser possível no futuro, precisam de estar resolvidos alguns pontos críticos:
- Espaço disponível no lote:
Nem todos os terrenos permitem crescer para os lados.
É preciso considerar:
- afastamentos obrigatórios já a pensar na nova área
- implantação máxima permitida pelo PDM
- zonas onde a construção é legal vs zonas onde não é
- limites de impermeabilização do solo
Um erro comum é construir a casa demasiado “espalhada” no terreno e, mais tarde, descobrir que já não há área lega para ampliar.
2. Implantação estratégica:
A posição da casa no terreno determina o que é possível amanhã.
Exemplo:
Se o cliente pensa futuramente num quarto extra, faz sentido deixar essa zona para a lateral com mais espaço legal de construção.
3. Acessos e circulação
A ampliação horizontal tem se ser funcional:
- por onde se liga ao resto da casa
- como se mantém a privacidade
- como se cria circulação sem “remendos”
Se isto for pensado desde início, a expansão futura encaixa naturalmente no layout.
Crescer “para cima”
Significa acrescentar um novo piso sobre a construção existente.
Aqui o ponto crítico é a estrutura.
- A laje tem de estar preparada:
Uma laje desenhada apenas para um piso não aguenta um segundo piso mais tarde.
Sem preparação inicial, seria necessário:
- reforçar pilares
- reforçar vigas
- mexer na fundação
- demolir parcialmente a cobertura
Ou seja: caro, demorado e, muitas vezes, inviável.
Quando a laje é calculada desde o início para suportar um segundo piso:
- a futura obra é rápida
- não há demolições estruturais
- só se constroem paredes, cobertura e acabamentos
2. Ligações verticais
A escada tem de ser pensada no layout, mesmo que não seja construída já.
Pode ficar:
- como roupeiro
- como arrumo
- como espaço técnico vazio
O importante é que exista o “ponto de ligação”.
Estas decisões vão sempre depender do terreno, estrutura pretendida e o orçamento de “hoje”
Conclusão
Estás decisões tem que ser sempre pensadas não como uma forma de poupar, mas como uma forma de simplificar a sua vida numa fase que tudo parece não ter solução e procuramos várias maneiras de resolver. No final, seja para ampliar para “cima” ou para o “lado”, o mais sensato é assumir que, no futuro, a nossa vida pode mudar e o ideal é que a nossa casa acompanhe.